Roncar é Normal?

Roncar é Normal?
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Roncar é Normal? Dr Jose Antonio Núcleo de Otorrino Responde

 

Não, roncar não é normal. Esse incômodo ruído, produzido pela vibração das estruturas da garganta, decorre de um estreitamento parcial das vias respiratórias durante o sono. A passagem forçada do ar por esta obstrução parcial causa o barulho do ronco.

Roncar é Normal? Dr Jose Antonio Núcleo de Otorrino Responde

Estima-se que mais de metade da população mundial ronca eventualmente e que 20% da população adulta ronca habitualmente.

Algumas pessoas roncam todas as noites, a noite inteira; outras somente no inicio do sono ou em fases de sono profundo, ou quando dormem de barriga para cima, ou quando estão resfriadas, ou após lautos jantares ou beberem um copo a mais.

Atualmente, o ronco deixou de ser simplesmente um problema social e o maior desagregador conjugal. Segundo Luis Fernando Veríssimo “a principal causa de divórcio no Brasil é a mulher raspar as pernas com o aparelho de barba do marido e depois não limpar. Em segundo lugar vem o adultério; em terceiro, o ronco”.  Além destas implicações sociais, o ronco constitui hoje um problema médico, estando associado à morbidade e mortalidade vascular em pacientes de meia idade, com alta incidência de hipertensão arterial, angina, infarto do miocárdio e acidentes vasculares cerebrais.

Fatores Predisponentes para o Ronco

Fatores anatômicos e constitucionais, que causem restrição nas vias respiratórias, podem ser determinantes para o ronco. Entre eles estão a obstrução nasal levando a uma respiração pela boca, amígdalas palatinas aumentadas, úvula (campainha) e palato mole em excesso, língua volumosa, alterações esqueléticas faciais como a mandíbula pequena ou o queixo um pouco para trás, pescoço curto e grosso e, principalmente, a obesidade.

Fazendo parte de um continuum, na qual o ronco é o sintoma inicial, com o passar dos anos estes pacientes podem apresentar paradas respiratórias durante o sono, caracterizando o que chamamos de apneia obstrutiva do sono.  As apneias tem duração mínima de 10 segundos, ocorrendo inúmeras vezes e exclusivamente durante o sono, resultando em asfixia recorrente com queda da oxigenação, com graves consequências para o organismo.

Repercussões Clínicas do Ronco e da Apneia

Esse problema reflete em sintomas noturnos e diurnos, com diminuição da qualidade de vida, calculando-se sua incidência em 10% dos homens e 5% das mulheres em idade adulta.

Os sintomas noturnos, além do ronco e das apneias, são engasgos, fragmentação do sono, bruxismo, boca seca, sono não repousante e refluxo ácido.

Os sintomas diurnos são sonolência excessiva diurna, fadiga, dor de cabeça matinal, déficits de atenção, memória e aprendizado, depressão, mau humor, obesidade e impotência.

As repercussões clínicas do ronco e da apneia fazem-se em todos os setores vitais do nosso organismo como nas doenças cardiovasculares (hipertensão arterial, infarto do miocárdio, insuficiência cardíaca), nas  doenças do cérebro (derrames), nas doenças endócrinas (diabetes), distúrbios sexuais (impotência) e distúrbios de comportamento, sendo causas importantes de acidentes de trânsito e de trabalho. Estudos populacionais tem demonstrado o aumento da mortalidade na apneia do sono por infarto agudo do miocárdio e morte súbita.

Pacientes com estas queixas devem ser investigados quanto a qualidade de seu sono e examinados por médicos especialistas (otorrinos, neurologistas, pneumologistas) para que possam ser tratados o mais precocemente possível.  Esses tratamentos envolvem medidas comportamentais (higiene do sono), tratamento com aparelhos de pressão aérea positiva (CPAPs), aparelhos intraorais ou tratamentos cirúrgicos sobre as vias respiratórias.

Recomendações aos Roncadores

  • Evitar dormir de barriga para cima;
  • Evitar refeições pesadas antes de dormir;
  • Evitar álcool e fumo no mínimo 4 horas antes de dormir;
  • Evitar bebidas cafeinadas (café, chá, chocolate), medicamentos sedativos do tipo hipnóticos ou antialérgicos antes de dormir;
  • Perder peso e ter atividade física regular;
  • Evitar privação do sono: dormir no mínimo 7 horas por noite;
  • Levantar a cabeceira da cama cerca de 15 a 20 centímetros;
  • Procurar manter horários regulares para dormir e levantar;
  • Cuidar de seu nariz para não dormir de boca aberta.

Essas medidas gerais podem ajudar você e seu cônjuge a terem um sono mais prazeroso e saudável.

Se isto não acontecer, procure o seu médico.

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