Os Avanços no Tratamento da Apneia Obstrutiva do Sono

Os Avanços no Tratamento da Apneia Obstrutiva do Sono
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Tratamento da Apneia Obstrutiva do Sono

 

Tratamento da Apneia Obstrutiva do Sono. O autor Allan Hobson escreveu em 1989 que mais se tem aprendido acerca do sono nos últimos 60 anos que nos anteriores 6.000 anos. Peretz Lavie também comentou em sua memorável obra Restless Nigths1: “Como pode uma síndrome com tão óbvios sintomas – ronco alto à noite, sono interrompido por intermitentes paradas respiratórias e obsessivos surtos de sonolência diurna – passar despercebida aos olhos de tantas gerações de médicos?”

Seria a síndrome da apneia do sono um fenômeno recente? Intrigado e buscando explicações, Lavie mergulhou em busca de dados e somente na Conway Library da Escola de Medicina de Harvard encontrou mais de 900 artigos médicos do século XIX sobre “Sono” e “Distúrbios do Sono”, com 316 referências a várias formas de “Sonolência excessiva”.  Neste artigo, vamos conhecer quais foram suas descobertas.

A descrição do paciente “obeso e sonolento”

Os avanços no Tratamento da Apneia Obstrutiva do SonoCheyne e Stokes, no início do século XIX, foram os primeiros a descrever um distúrbio respiratório do sono, até William Osler cunhar o termo “Pickwickiano” para descrever pacientes obesos e sonolentos.

Este foi um conceito que prevaleceu por longos anos até Dement e Guilleminault, em 1972, apresentarem os estudos do grupo de Stanford em pacientes não obesos com apneia do sono, descrevendo a síndrome da apneia obstrutiva do sono2. Porém, pesquisadores da escola de Marselha já haviam apresentado estudos atribuindo o problema a um bloqueio das vias aéreas. Tratamento da Apneia Obstrutiva do Sono.

O Início dos Tratamentos Cirúrgicos da Apneia do Sono

Kuhlo, em 1969, realizou a primeira traqueostomia para tratar um paciente “pickwickiano” em coma, que após o procedimento recuperou-se completamente de sua apneia obstrutiva e da sonolência excessiva diurna.

Este foi o marco inicial do tratamento cirúrgico dos distúrbios respiratórios do sono. No entanto, Ikematsu no Japão, em 1964, já realizava procedimentos cirúrgicos sobre o palato mole no tratamento do ronco.

Tratamento da Apneia Obstrutiva do Sono

Em 1977, autores espanhóis padronizaram a ressecção parcial do palato mole3, técnica que foi aperfeiçoada por Fujita, em 198 nos Estados Unidos, através da uvulopalatofaringoplastia (UPFP)4. Coincide também esta data com o aparecimento do CPAP (continuous positive airway pressure), desenvolvido por Sullivan na Austrália5.

O trabalho de Fujita gerou grande entusiasmo e diversas variantes técnicas surgiram, sendo a mais utilizada a técnica de Fairbanks6, na qual se ampliam as dimensões laterais da orofaringe, poupando a musculatura da linha média. Outras variantes técnicas têm sido descritas, como a zetapalatofaringoplastias de Friedman. Mas a UPFP continua sendo o procedimento cirúrgico mais utilizado pelo otorrinolaringologista no tratamento da SAOS. Você está lendo Tratamento da Apneia Obstrutiva do Sono.

A Necessidade de Melhores Métodos Diagnósticos

Para aperfeiçoar a determinação dos níveis de obstrução, foram desenvolvidos diversos métodos, como a nasofibrolaringoscopia usando a manobra de Mueller e, mais recentemente, a sonoendoscopia, que tem se mostrado válida na identificação dos múltiplos pontos de colapso, em especial das paredes laterais da hipofaringe e da base da língua.

Através deste exame, podemos encontrar cerca de 80% de obstruções em múltiplos níveis através do sono induzido por fármacos7, melhorando os resultados no tratamento da apneia do sono.

Friedman, em 1999, apresentou seu método de estagiamento baseado na posição da língua e do palato em relação ao tamanho das tonsilas e o índice de massa corporal (IMC), entre outros fatores. Através de 5 estágios, este método seleciona melhor os casos com indicação para UPFP e aqueles com envolvimento da hipofaringe8.

Com um melhor topodiagnóstico, a UPFP isolada hoje é um procedimento de indicação menos frequente, estando combinada a outros procedimentos reconstrutivos das vias aéreas superiores, muitas vezes em níveis múltiplos. Tratamento da Apneia Obstrutiva do Sono

Referências:

1 – Lavie, P. Restless Nights: Understanding snoring and sleep apnea. New Haven: Conn, Yale University Press, 2003.

2 – Guilleminault C, Eldridge F, Dement WC. Insomnia, narcolepsy and sleep apneas. Bull Physiopath Respir 1972;8:1127-38.

3 – Quesada P, Pedro-Botet J, Fuentes E et al. Resección parcial del paladar blando como tratamiento Del síndrome de hipersomnia y respiración periódica de los obesos. ORl Dips 1977; 5:81-88.

4 – Fujita S, Conway W, Zorick F et al. Surgical correction of anatomic abnormalities in obstructive sleep apnea syndrome: uvulopalatopharyngoplasty. Otolaryngol Head Neck Surg 1981;89:923-34.

5 – Sullivan CE, Issa FG, Berthon-Jones M et al. Reversal of obstructive sleep apnea by continuous positive airway pressure applied through the nares. Lancet 1981;1 (8225):862-65.

6 – Fairbanks DNF. Method of Fairbanks. In: Fairbanks DNF, Fujita S, Ikematsu T et al.(Eds). Snoring and obstructive sleep apnea. New York: Raven Press, 1987, p.160-167.

7 – Abdullah VJ, Wing YK, van Hasselt CA. Video sleep nasendoscopy: the Hong Kong experience. Otolaryngol Clin North Am 2003: 36:461-471.

8 – Friedman M, Tanyeri H, LaRosa M et al. Clinical predictors of obstructive sleep apnea. Laryngoscope 1999; 109:1901-1907.

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