Tonometria Arterial Periférica no Diagnóstico da Apneia Obstrutiva do Sono

Tonometria Arterial Periférica no Diagnóstico da Apneia Obstrutiva do Sono
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A utilização de dispositivos portáteis que avaliam a tonometria arterial periférica vem tornando-se um método de diagnóstico da apneia obstrutiva do sono, um distúrbio respiratório do sono caracterizado por episódios recorrentes de obstrução total ou parcial da via aérea superior durante o sono, os quais levam a despertares frequentes, associados a sinais e/ou sintomas clínicos.

Este artigo é um resumo da matéria publicada na revista do Hospital São Camilo, edição fevereiro de 2016, sobre o estudo realizado nesta instituição, para avaliar a acurácia da tonometria arterial periférica no diagnóstico da apneia obstrutiva do sono.

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A Tonometria Arterial Periférica

A tonometria arterial periférica é um sinal fisiológico das alterações do sistema nervoso autônomo que ocorrem durante o sono.

Estudos do sono com polissonografia demandam um custo elevado, pois exigem um laboratório do sono completo e uma equipe especializada. Portanto, métodos diagnósticos alternativos estão sendo desenvolvidos, a exemplo da tonometria arterial periférica, possibilitando sua realização no próprio domicílio, com a mesma eficiência no diagnóstico das patologias do sono.

A Polissonografia

A polissonografia é considerada o padrão ouro no diagnóstico da apneia do sono, combinando a monitorização noturna das fases do sono com o registro contínuo do fluxo aéreo, movimentos ventilatórios torácico e abdominal, ritmo cardíaco, saturação de oxigênio, ronco, tônus muscular e movimento das pernas.

O número de eventos respiratórios por hora de sono é conhecido como índice de apneias e hipopneias (IAH), sendo largamente utilizado para avaliar a gravidade da síndrome.

O Whatch-PAT

O Whatch-PAT consiste em um dispositivo colocado no pulso da mão não dominante do paciente, conectado a um sensor no dedo indicador do mesmo lado.

Há um sensor de ronco e de posição fixados com adesivo no tórax, além de um oxímetro colocado no dedo anelar.

O software específico do aparelho, chamado zzzPat, faz a leitura do exame. Este algoritmo é baseado em 14 características extraídas de duas séries da amplitude da tonometria arterial periférica e dos períodos inter-pulso. Estes dados associados à actigrafia permitem o estagiamento do sono em vigília, sono leve, sono profundo e sono REM.

O algoritmo automático analisa a amplitude do sinal de tonometria arterial periférica que, associada às variações da frequência cardíaca e da saturação de oxigênio, identificam os eventos respiratórios. O resultado desse algoritmo determina o índice de apneia/hipopneia e o índice de distúrbio respiratório, usando padrões específicos de sinal.

Realização do Estudo no Hospital São Camilo

Foi realizada uma pesquisa de estudo de coorte histórica com corte transversal, simples cego, no Laboratório do Sono do Hospital São Camilo – Pompeia, em São Paulo no período de outubro a novembro de 2013.

Foram realizadas polissonografia de noite inteira em ambiente hospitalar simultaneamente ao registro da tonometria arterial periférica com o Watch-PAT-200 em 30 pacientes com suspeitas de apneia obstrutiva do sono, com sintomas como roncos, sonolência excessiva diurna, apneia testemunhada durante o sono pelo cônjuge.

Foram avaliados e comparados parâmetros da arquitetura do sono e medidas respiratórias, analisados pela polissonografia e pelo Watch-PAT.

Os Resultados do Estudo

Os pacientes tinham idades entre 24 a 71 anos, sendo 20 do sexo masculino e 10 do sexo feminino e todos apresentavam suspeita de apneia obstrutiva.

Houve alta correlação entre os valores das obtidos com a polissonografia noturna assistida e a tonometria arterial periférica, em relação a saturação mínima de oxigênio e frequência cardíaca.

A acurácia da tonometria arterial periférica foi maior quando o valor do IAH estava acima de 20 eventos por hora.

Comparando os Resultados da Tonometria Arterial Periférica e da Polissonografia

O tempo de sono é essencial para determinar o verdadeiro índice de distúrbios respiratórios. A tonometria arterial detecta o estado de sono/vigília e o estágio de sono REM através do tempo total de sono. Isso proporciona uma estimativa acurada da arquitetura do sono.

A detecção do tempo de sono automático por este método diagnóstico é determinado a partir do tempo total de registro. Há vários estudos de validação da tonometria arterial periférica como método diagnóstico de apneia obstrutiva, encontrando alta correlação entre os valores de IAH da tonometria arterial periférica e da polissonografia laboratorial.

Identificação dos Eventos Respiratórios

A grande diferença entre o monitor portátil e os demais é que a identificação dos eventos respiratórios, como apneia e hipopneia, é realizada por meio de variações do sinal do tônus arterial periférico, sem necessidade de medidas convencionais de fluxo aéreo e esforço respiratório.

Entretanto, a tonometria arterial periférica não distingue apneias de hipopneias. Enquanto que a gravidade da apneia do sono é definida pela soma dos dois eventos em relação ao tempo total de sono, essa não distinção é pouco relevante, já que as apneias e as hipopneias levam a consequências clínicas semelhantes.

No presente estudo, encontrou-se boa correlação entre os valores do IAH, saturação mínima de oxigênio e frequência cardíaca média quando se compararam os parâmetros da polissonografia laboratorial e tonometria arterial periférica.

Houve uma boa concordância entre os valores de IAH dos dois registros. A sensibilidade e especificidade dos valores do IAH obtidos pela tonometria arterial periférica foram maiores quando o IAH era maior do que 20 eventos por hora.

Houve uma alta concordância entre a polissonografia e a tonometria arterial periférica em relação a IAH, índice de distúrbio respiratório e índice de dessaturação de oxigênio.

Identificação da Rigidez Arterial

A rigidez arterial também se correlacionou com perturbações do sono e saturação média de O2 refletindo melhor o impacto cardiovascular da apneia do sono, do que pela IAH na polissonografia convencional.

O aumento da rigidez arterial é amplamente reconhecido como um determinante de risco cardiovascular e também tem sido relacionado a apneia do sono.

O dispositivo de avaliação da tonometria arterial periférica tendeu a superestimar os valores de IAH em casos leves de apneia do sono. Este fato não reduz a utilidade do aparelho portátil, pois dados clínicos associados a uma triagem prévia permitem que haja uma alta sensibilidade no diagnóstico da apneia do sono, o que permite que potenciais doentes não sejam excluídos.

Estudos com Crianças

Estudos com crianças mostraram que o sinal da tonometria arterial periférica foi maior naquelas com apneia do sono em comparação com controles, indicando aumento do tônus simpático durante a vigília.

Pode-se inferir que a acurácia deste monitor portátil é melhor no caso de pacientes com alta probabilidade de apresentar apneia obstrutiva moderada ou grave. No entanto, em pacientes com outros distúrbios do sono além dos respiratórios, deve-se indicar a polissonografia laboratorial como método diagnóstico.

Conclusão

Os parâmetros respiratórios obtidos pela tonometria arterial apresentaram uma correlação e acurácia, quando comparados com a polissonografia.

Assim, a tonometria arterial periférica é uma opção de grande valia para o diagnóstico de apneia do sono, especialmente nos casos de pacientes com alta probabilidade da condição em sua forma moderada ou grave.

Por se tratar de um dispositivo portátil e de fácil manuseio, cujos resultados são prontamente disponibilizados e interpretados, seria este uma opção para otimizar a identificação de pacientes com apneia do, para que o tratamento dessa doença seja o quanto antes preconizado.

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